Os novos pais sempre foram atenciosos e carinhosos com os irmãos, e logo começaram a notar um comportamento estranho de Beth. Tudo parecia um sonho até que os pesadelos de Beth entraram no caminho — literalmente. A garota começou a acordar todas as noites se queixando de "um homem que caía sobre ela e a machucava com uma parte dele". Foi depois disso que o comportamento dela se alterou completamente.
A menina era violenta e se recusava a qualquer demonstração de afeto. Conforme os anos se passavam, as atitudes da criança atingiam níveis mais preocupantes. Por diversas vezes, Beth tentou sufocar o irmão utilizando um travesseiro. Ela havia também esfaqueado seu cachorro de estimação, matou inúmeros filhotes de pássaros, cortou a cabeça de um colega de classe usando um pedaço de vidro, se masturbava, insinuava-se sexualmente para seu avô e, declarava seu desejo em matar seus pais adotivos.
Em momento algum, os Tennents foram alertados sobre as circunstâncias nas quais as crianças chegaram à adoção. A assistente social alegou que elas eram saudáveis e livres de qualquer trauma psicológico, portanto estavam completamente no escuro sobre o que estava acontecendo.
Em 1989, o casal, assustado, levou Beth para uma clínica psiquiátrica. A garota passou por diversos exames até ser constatado o diagnóstico: ela sofria de Transtorno de Apego Reativo, uma síndrome que impede que o indivíduo crie laços afetivos com as pessoas ao seu redor. Foi iniciada uma terapia extensiva, para tentar reverter ou mesmo amenizar quadro psicológico da criança.
Durante o tratamento, Beth ficou hospitalizada e foi descoberto que ela planejava a morte dos pais e até mesmo guardava facas de cozinha para executar a tarefa. O Dr. Ken Magid, que cuidou do caso, atestou que a menina entendia a consequência de suas ações e não demonstrava culpa ou remorso algum.
Durante a internação, a garota expressou que entendia a consequência dos seus atos, mas não expressou remorso por isso. Ao longo de muitos anos de terapia intensiva, ela apresentou culpa genuína por ter causado dor aos pais e ao irmão. Depois, foi submetida a conviver sob um conjunto de regras rigorosas proposto por um especialista em RAD que a criou por muito tempo longe do afeto diário dos pais.
Beth conseguiu se sair bem na escola, socializando e fazendo amizades, inclusive se formou em Enfermagem na Universidade do Colorado. Depois de décadas de terapia intensa de apego Beth Thomas começou a demonstrar melhora. Hoje ela trabalha como enfermeira, ajudando crianças que passaram pela mesma situação que ela. E ainda viaja o mundo dando palestras sobre sua história. Para muitos especialistas, a garota, que virou símbolo de estudo, apenas aprendeu a reprimir os instintos psicopáticos, uma vez que a doença não tem cura, ou seja, a consciência dela apenas finge bem. Para outros, Beth é apenas o resultado de como a mente humana reage ao trauma e à negligência.
Em 29 de setembro de 1992, a HBO lançou o documentário Child of Rage (A Ira de um Anjo, em tradução), que chocou o mundo ao apresentar a história de uma garotinha de 6 anos chamada Beth Thomas. Na produção, foram registradas gravações feitas pelo o psicólogo da menina, Dr. Ken Magid, durante as sessões de terapia.
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DOCUMENTÁRIO
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REFERÊNCIAS
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ira-de-um-anjo-beth-thomas-menina-psicopata-que-assustou-o-mundo.phtml
https://www.megacurioso.com.br/misterios/114508-beth-thomas-e-a-ira-de-um-anjo.htm





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